Com 12 shows na Marina da Glória, evento reúne gerações, estilos e canções que atravessam o tempo; Alceu Valença, Vanessa da Mata, Péricles, Ferrugem, Roupa Nova e Os Paralamas do Sucesso estão entre as atrações
Há músicas que deixam de pertencer apenas a quem as criou. Elas atravessam décadas, acompanham histórias de amor, marcam despedidas, embalam encontros e passam de pais para filhos. É justamente essa relação entre música e memória que dá sentido ao Clássicos do Brasil 2026, que retorna à Marina da Glória, no Rio de Janeiro, para quatro noites de apresentações nos dias 28 e 29 de novembro e 5 e 6 de dezembro.
Em sua quinta edição, o festival reúne 12 atrações da música brasileira e aposta em repertórios que continuam presentes na vida do público. A programação percorre a MPB, o samba, o pagode e o rock romântico, com artistas de diferentes gerações e trajetórias. O tema desta edição é “músicas que se tornaram eternas”.
Mais do que reunir nomes conhecidos, a proposta coloca em evidência uma questão importante: o que faz uma canção continuar viva mesmo quando o tempo muda, os costumes se transformam e novas gerações chegam?
Maria Bethânia abre; Caetano Veloso encerra
A escolha que estrutura a programação está no encontro simbólico entre dois irmãos que ajudaram a definir os rumos da música brasileira. Maria Bethânia abre o festival em 28 de novembro, enquanto Caetano Veloso será uma das atrações do encerramento, em 6 de dezembro.
Segundo o idealizador do evento, Peck Mecenas, a vontade de reunir os dois artistas foi o ponto de partida para a curadoria de 2026. A ideia era colocar Bethânia na abertura e Caetano no fechamento, construindo o restante da programação a partir desse conceito.
A escolha ganha força pelo lugar que ambos ocupam na cultura nacional. Com caminhos artísticos próprios, os irmãos atravessaram diferentes fases da música brasileira e construíram repertórios que seguem despertando identificação muito além de sua época de lançamento.
A presença dos dois nas extremidades do festival também cria uma narrativa: a abertura apresenta uma das grandes intérpretes do país, enquanto o encerramento reúne Caetano a outros nomes que ajudaram a construir diferentes capítulos do cancioneiro brasileiro.
Primeira noite reúne Maria Bethânia, Alceu Valença e Vanessa da Mata
A abertura, no sábado, 28 de novembro, terá Maria Bethânia, Alceu Valença e Vanessa da Mata.
A noite ganha um significado especial porque Bethânia e Alceu completam 80 anos em 2026. São artistas de trajetórias diferentes, mas unidos pela capacidade de transformar canções em experiências coletivas.
Bethânia construiu uma carreira marcada pela força interpretativa, pela presença cênica e pela relação intensa com a palavra cantada. Alceu, por sua vez, levou referências nordestinas, poesia e sonoridades populares a diferentes públicos, consolidando uma identidade musical própria.
Vanessa da Mata completa a programação com uma obra que transita entre a MPB e o pop brasileiro. A cantora também tem Bethânia entre suas referências artísticas, o que acrescenta uma ligação especial ao encontro.
A abertura, portanto, não se limita à reunião de três artistas conhecidos. Ela coloca lado a lado diferentes formas de interpretar o Brasil, suas histórias, seus afetos e suas expressões culturais.
Samba e pagode ocupam a segunda noite
No domingo, 29 de novembro, o festival muda de atmosfera e recebe Péricles, Alexandre Pires e Ferrugem.
A programação aproxima diferentes momentos do samba e do pagode. Péricles ganhou projeção nacional como vocalista do Exaltasamba; Alexandre Pires marcou época à frente do Só Pra Contrariar; e Ferrugem representa uma geração que ampliou o alcance do pagode contemporâneo.
O encontro permite observar como o gênero se renova sem abandonar elementos que o tornaram tão presente na cultura popular: histórias de amor, encontros, separações, saudade e celebração.
São repertórios que encontram espaço em rodas de samba, festas, rádios e encontros entre amigos. Ao reunir os três artistas, o festival coloca em perspectiva a continuidade de um gênero que permanece conectado à experiência cotidiana de milhões de brasileiros.
Fábio Jr., Roupa Nova e Paulo Ricardo na noite do rock romântico
No sábado, 5 de dezembro, será a vez de Fábio Jr., Roupa Nova e Paulo Ricardo.
Batizada de Noite do Rock Romântico, a programação reúne artistas cujas canções atravessaram décadas e continuam presentes na memória afetiva do público.
Fábio Jr. construiu uma trajetória que combina música e televisão, com repertório marcado por baladas românticas. O Roupa Nova consolidou sua identidade com arranjos vocais e canções que se tornaram conhecidas por diferentes gerações. Paulo Ricardo, por sua vez, ganhou projeção nacional como vocalista do RPM e desenvolveu uma carreira solo que ampliou seu percurso musical.
A reunião também evidencia como o rock brasileiro comporta diferentes caminhos: do romantismo às grandes melodias, passando pela energia das bandas que marcaram a música nacional.
É uma noite voltada a canções que permanecem reconhecíveis desde os primeiros acordes, capazes de transformar um show em um grande coro coletivo.
Caetano Veloso, Os Paralamas do Sucesso e Pepeu Gomes encerram o festival
No domingo, 6 de dezembro, o Clássicos do Brasil chega ao fim com Caetano Veloso, Os Paralamas do Sucesso e Pepeu Gomes.
A última noite reúne três trajetórias que ajudam a compreender a diversidade da música brasileira. Caetano construiu uma obra central para a MPB, atravessando movimentos artísticos e diferentes linguagens. Os Paralamas do Sucesso estabeleceram uma identidade própria ao combinar rock, reggae e outras influências. Pepeu Gomes, guitarrista e compositor, destacou-se pela mistura de rock, ritmos brasileiros e virtuosismo instrumental.
O encerramento retoma, em outra perspectiva, a ideia que orienta o festival: canções e artistas que continuam relevantes porque suas obras ultrapassam o momento em que foram criadas.
Com Caetano no último dia, a programação também conclui o arco idealizado pela organização, que escolheu Maria Bethânia para abrir a edição e o irmão para encerrá-la.
Um festival que nasceu no Rio e ampliou seu alcance
Criado pela produtora PECK, o Clássicos do Brasil estreou em 2023, na Marina da Glória, com uma edição dedicada ao Nordeste e à diversidade de sua música e culinária.
Ao longo das edições seguintes, o festival reuniu artistas de diferentes estilos e gerações. Em 2024, a programação incluiu nomes como Titãs, Alcione, Simone, Samuel Rosa, Nando Reis e Diogo Nogueira. Em 2025, o projeto também chegou ao Recife, ampliando sua presença para além do Rio de Janeiro.
A relação com a cultura brasileira é parte central da proposta. Em vez de se concentrar em um único gênero, o evento procura aproximar públicos e repertórios que fazem parte da história musical do país.
O festival passou a integrar a agenda de eventos patrocinados pela Petrobras em outubro de 2024. Para a edição carioca de 2026, informações divulgadas pela imprensa indicam apresentação do Ministério da Cultura, da Petrobras e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio de mecanismos de incentivo cultural.
Essa combinação entre iniciativa cultural, patrocínio e incentivo ajuda a situar o evento no cenário dos grandes festivais brasileiros. O impacto cultural, porém, não está apenas no tamanho da programação: também está na possibilidade de colocar diferentes gerações diante de músicas que continuam criando novas lembranças.
Quando a música vira memória coletiva
A força de um clássico não depende apenas do tempo que passou desde seu lançamento. Ela também está na capacidade de uma canção continuar encontrando sentido na vida de quem a escuta.
Uma música pode lembrar a primeira paixão, uma viagem em família, uma festa entre amigos ou uma fase difícil que ficou para trás. Quando milhares de pessoas cantam juntas, histórias individuais passam a compartilhar o mesmo espaço.
É nesse encontro que o Clássicos do Brasil encontra sua principal razão de existir. Ao reunir artistas com trajetórias tão distintas, o festival transforma a Marina da Glória em um espaço de convivência entre gerações, estilos e memórias.
Em quatro noites, a programação propõe uma viagem por diferentes capítulos da música brasileira — da interpretação de Maria Bethânia à obra de Caetano Veloso, passando pelo regionalismo de Alceu Valença, pelo samba e pagode e pelas canções do rock nacional.
Porque algumas músicas não ficam no passado. Elas continuam acompanhando o presente e encontram novas vozes a cada geração.
Serviço
Clássicos do Brasil 2026 — Rio de Janeiro
Local: Marina da Glória, Rio de Janeiro.
Datas e atrações:
Programação do Clássicos do Brasil 2026
28 de novembro – sábado
Maria Bethânia
Alceu Valença
Vanessa da Mata
29 de novembro – domingo
Péricles
Alexandre Pires
Ferrugem
5 de dezembro – sábado
Fábio Jr.
Paulo Ricardo
Roupa Nova
6 de dezembro – domingo
Caetano Veloso
Os Paralamas do Sucesso
Pepeu Gomes
Instagram oficial: @classicosdobrasil.festival









