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Comer menos para ativar mudanças no corpo? A ciência investiga a dieta que imita o jejum

Protocolo alimentar reduz calorias por cinco dias e desperta interesse por seus possíveis efeitos no emagrecimento, no metabolismo e no envelhecimento saudável.

E se fosse possível estimular algumas respostas do organismo associadas ao jejum sem deixar de comer? Essa é a proposta da dieta que imita o jejum, uma estratégia nutricional que vem sendo investigada por pesquisadores interessados na relação entre restrição calórica, saúde metabólica e envelhecimento.

Conhecida como FMD (Fasting-Mimicking Diet), a dieta combina redução temporária de calorias com uma composição específica de nutrientes. Estudos clínicos investigam se essa abordagem pode contribuir para a perda de peso e melhorar indicadores relacionados ao controle da glicose e à gordura acumulada no fígado.

O que é a dieta que imita o jejum?

Diferentemente do jejum tradicional, no qual a pessoa passa determinado período sem consumir alimentos, a dieta que imita o jejum permite comer durante todo o protocolo, mas em quantidades reduzidas e planejadas.

Um dos modelos mais estudados prevê cinco dias consecutivos de restrição alimentar, seguidos pelo retorno à alimentação habitual. A proposta é provocar mudanças metabólicas semelhantes a algumas observadas durante o jejum, sem eliminar completamente a ingestão de nutrientes.

Como funciona no organismo?

Com a redução da ingestão calórica, o organismo adapta o uso de suas fontes de energia. Os pesquisadores investigam possíveis efeitos sobre a sensibilidade à insulina, o metabolismo das gorduras e a autofagia, processo natural de reciclagem de componentes celulares.

Esses mecanismos ajudam a explicar o interesse científico pela estratégia. No entanto, ainda não é possível afirmar que todas essas mudanças produzam benefícios duradouros ou previnam doenças.

A dieta ajuda a emagrecer?

A restrição calórica pode favorecer a perda de peso, mas os resultados variam de acordo com as características de cada pessoa e o protocolo utilizado.

Um estudo publicado em 2024 na revista Diabetologia avaliou a dieta em adultos com diabetes tipo 2. Após 12 meses, os pesquisadores observaram melhora no controle da glicose e redução do peso corporal no grupo que recebeu a intervenção, em comparação com o grupo de controle.

O resultado é relevante, mas não significa que a dieta seja superior a todos os métodos de emagrecimento. Também não garante os mesmos efeitos em pessoas sem diabetes.

A dieta pode retardar o envelhecimento?

A relação entre a dieta que imita o jejum e o envelhecimento biológico também está no centro das pesquisas.

Em um estudo publicado em 2024 na revista Nature Communications, pesquisadores identificaram mudanças favoráveis em indicadores metabólicos e em medidas utilizadas para estimar a idade biológica após ciclos da dieta.

Apesar dos resultados promissores, idade biológica não é o mesmo que idade cronológica. Os achados não comprovam que o método rejuvenesça o organismo ou aumente a expectativa de vida.

Quais são os riscos?

A dieta que imita o jejum envolve restrição importante de calorias e nutrientes e, por isso, não é adequada para todas as pessoas. Fraqueza, tontura e alterações na glicose estão entre os possíveis efeitos adversos.

Pessoas com diabetes que utilizam determinados medicamentos, gestantes, lactantes, indivíduos com baixo peso e pessoas com histórico de transtornos alimentares precisam de avaliação específica e podem ter contraindicação.

A adoção do protocolo exige acompanhamento profissional. Não é recomendado reproduzir dietas restritivas encontradas na internet sem avaliar as necessidades nutricionais e as condições de saúde.

O que a ciência já sabe?

A dieta que imita o jejum é uma estratégia promissora de pesquisa, mas ainda existem dúvidas sobre seus efeitos a longo prazo, sua segurança em diferentes grupos e a manutenção dos resultados.

A evidência disponível indica possíveis benefícios em determinados indicadores de saúde, mas não sustenta a ideia de que o método seja uma solução milagrosa para emagrecer ou retardar o envelhecimento.

O próximo passo da ciência é entender para quem essa estratégia pode ser útil, quais protocolos são mais seguros e se os benefícios se mantêm ao longo do tempo.

Referências

  1. BRANDHORST, S. et al. A periodic diet that mimics fasting promotes multi-system regeneration, enhanced cognitive performance, and healthspan. Cell Metabolism, 2015. https://doi.org/10.1016/j.cmet.2015.05.012
  2. WEI, M. et al. Fasting-mimicking diet and markers/risk factors for aging, diabetes, cancer, and cardiovascular disease. Science Translational Medicine, 2017. https://doi.org/10.1126/scitranslmed.aai8700
  3. BRANDHORST, S. et al. Fasting-mimicking diet causes hepatic and blood markers changes indicating reduced biological age and disease risk. Nature Communications, 2024. https://doi.org/10.1038/s41467-024-45260-9

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