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Soja aumenta o estrogênio e reduz a testosterona? O que a ciência diz

Alimento rico em proteínas e isoflavonas é alvo de dúvidas, principalmente entre homens. Uma grande análise de estudos clínicos não encontrou alterações significativas nos principais hormônios reprodutivos masculinos.

A soja faz parte da alimentação de milhões de pessoas e aparece em alimentos como tofu, edamame, leite de soja, tempeh e proteína de soja. Apesar disso, ainda existe uma dúvida bastante comum, principalmente entre homens: o consumo de soja poderia aumentar o estrogênio e diminuir a testosterona?

A preocupação está relacionada às isoflavonas, compostos naturais encontrados na soja e classificados como fitoestrogênios. Apesar do nome, eles não são simplesmente “estrogênio vegetal”. As isoflavonas podem interagir com receptores de estrogênio, mas apresentam uma ação muito mais fraca e complexa no organismo. 

O que os estudos mostram?

Uma das análises mais relevantes sobre o assunto foi publicada em 2021 na revista científica Reproductive Toxicology. Os pesquisadores fizeram uma meta-análise de 41 estudos clínicos, envolvendo homens adultos, para avaliar justamente se a soja ou as isoflavonas poderiam alterar hormônios reprodutivos.

Foram avaliados níveis de testosterona total, testosterona livre, estradiol, estrona e SHBG.

O resultado foi direto: não foram observados efeitos significativos da soja ou das isoflavonas sobre esses hormônios.

A análise também levou em consideração diferentes doses de isoflavonas e diferentes períodos de consumo. Mesmo nessas avaliações, não foi encontrado efeito significativo sobre testosterona ou estrogênios nos homens. 

Então a soja não “feminiza” o homem?

Com base nessa evidência clínica, não há suporte para afirmar que o consumo habitual de soja provoque queda de testosterona ou aumento de estrogênio em homens.

Isso é importante porque alguns relatos isolados e estudos de laboratório podem gerar manchetes assustadoras, mas resultados obtidos em células ou animais não necessariamente acontecem da mesma maneira em seres humanos.

Além disso, a soja é uma fonte de proteína vegetal de boa qualidade e também fornece fibras, vitaminas, minerais e gorduras poli-insaturadas. 

Mas isso significa que quanto mais soja, melhor?

Não necessariamente.

A alimentação saudável não depende de um único alimento. A soja pode fazer parte de uma dieta equilibrada, especialmente quando substitui fontes de proteína com maior quantidade de gordura saturada, como algumas carnes processadas. 

Também é importante diferenciar alimentos tradicionais de soja, como tofu, edamame e soja em grão, de suplementos concentrados de isoflavonas. São produtos diferentes e não devem ser tratados como se fossem a mesma coisa.

Afinal, qual é a conclusão?

A ideia de que comer soja automaticamente aumenta o estrogênio e reduz a testosterona masculina não é sustentada pela melhor evidência clínica disponível.

Isso não significa que a soja seja um “alimento milagroso”, mas mostra que o medo de que seu consumo habitual altere os hormônios masculinos não encontra respaldo nessa grande análise de estudos clínicos.

Em nutrição, a quantidade, a forma de consumo e o contexto da dieta importam muito mais do que transformar um alimento isolado em vilão ou mocinho.

Fonte científica principal:

Reed KE, Camargo J, Hamilton-Reeves J, Kurzer M, Messina M. Neither soy nor isoflavone intake affects male reproductive hormones: An expanded and updated meta-analysis of clinical studies. Reproductive Toxicology. 2021;100:60–67. 

Fontes complementares: Harvard T.H. Chan School of Public Health e National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH). 

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