O sal rosa do Himalaia conquistou espaço nas prateleiras e nas redes sociais como símbolo de alimentação saudável. Com sua coloração diferenciada e a promessa de conter mais de 80 minerais, ele é vendido por um preço muito superior ao sal de cozinha tradicional. Mas será que essa fama tem respaldo científico?
Sal rosa tem menos sódio?
Uma das principais alegações é que o sal rosa teria menos sódio que o sal comum. No entanto, análises mostram que a diferença é mínima: cerca de 390 mg de sódio por grama no sal refinado contra 380 mg por grama no sal rosa.
👉 Isso significa que, para quem precisa controlar a pressão arterial, reduzir a quantidade total de sal consumida é muito mais eficaz do que trocar de variedade.
Mais de 80 minerais: mito ou realidade?
Sim, o sal rosa contém minerais como cálcio, magnésio, potássio e ferro. Porém, eles aparecem em quantidades muito pequenas.
Um estudo publicado na revista Foods em 2020 analisou 31 amostras comerciais e concluiu que seria necessário consumir mais de 30 gramas de sal rosa por dia para obter uma contribuição significativa desses minerais. Esse valor é seis vezes maior que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta adultos a consumirem menos de 5 gramas de sal por dia.
Ou seja: os minerais existem, mas não em quantidade suficiente para trazer benefícios reais.
Riscos e curiosidades
- Uma das amostras analisadas apresentou chumbo acima do limite regulatório na Austrália.
- Nem todo sal rosa vem do Himalaia: há produtos de origem no Paquistão, Peru e Austrália.
- A cor rosada está ligada à presença de minerais, mas não é um indicador de qualidade nutricional.
No Brasil, o sal refinado é iodado por lei, medida essencial para prevenir doenças da tireoide. Nem todo sal rosa é iodado, por isso é importante verificar o rótulo.
👉 Para obter minerais de forma adequada, aposte em alimentos como frutas, verduras, legumes, feijão, leite e castanhas.
O sal rosa do Himalaia não é mais saudável que o sal comum.
A verdadeira estratégia para cuidar da saúde é reduzir o consumo total de sódio e manter uma alimentação variada e equilibrada.
Referências científicas
- Fayet-Moore F. et al. An Analysis of the Mineral Composition of Pink Salt Available in Australia. Foods. 2020;9(10):1490. DOI: 10.3390/foods9101490.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Guideline: Sodium intake for adults and children. Geneva: WHO, 2012.









