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Chocolate amargo pode beneficiar o coração e o metabolismo, apontam estudos

Pesquisas científicas investigam como os flavanóis presentes no cacau podem contribuir para a saúde cardiovascular e estão associados a um menor risco de diabetes tipo 2. Entenda as diferenças entre o chocolate amargo e as versões ao leite.

O chocolate é um dos alimentos mais apreciados no mundo, mas seus efeitos sobre a saúde vão além do sabor. Estudos científicos investigam o papel dos compostos naturais presentes no cacau, especialmente os flavanóis, na circulação sanguínea, na saúde cardiovascular e no metabolismo.

Uma revisão publicada no British Medical Journal (BMJ), em 2011, encontrou uma associação entre o maior consumo de chocolate e um menor risco de algumas doenças cardiovasculares. No entanto, os resultados não comprovam que o chocolate, por si só, seja responsável por essa proteção.

Chocolate amargo e saúde do coração

Entre os compostos estudados estão os flavanóis, substâncias encontradas no cacau que podem ajudar a melhorar a função do endotélio, a camada de células que reveste os vasos sanguíneos.

Essa função é importante para a circulação, pois participa do controle da dilatação dos vasos e do fluxo sanguíneo. Estudos clínicos também investigaram os efeitos dos flavanóis do cacau sobre indicadores relacionados à saúde cardiovascular.

Uma pesquisa publicada no British Journal of Nutrition, em 2015, avaliou o consumo de flavanóis do cacau e observou resultados relacionados à função endotelial e à avaliação do risco cardiovascular.

Apesar dos achados, é importante destacar que melhorar um indicador de saúde não significa, necessariamente, prevenir infartos ou outras doenças. Os efeitos dependem de diversos fatores, incluindo alimentação, estilo de vida e condições individuais.

Chocolate amargo pode estar associado a menor risco de diabetes tipo 2

Um estudo publicado no BMJ, em dezembro de 2024, analisou dados de três grandes grupos de participantes acompanhados por vários anos para investigar a relação entre o consumo de chocolate e o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Os pesquisadores observaram que o consumo mais frequente de chocolate amargo estava associado a um risco 21% menor de diabetes tipo 2 entre as pessoas que consumiam cinco ou mais porções por semana, em comparação com aquelas que raramente consumiam o alimento.

Essa associação não foi observada de forma significativa para o chocolate ao leite.

Os autores ressaltam que o estudo é observacional. Portanto, os resultados não provam que comer chocolate amargo previna o diabetes. Outros hábitos alimentares e fatores relacionados ao estilo de vida também podem influenciar os resultados.

Flavanóis do cacau e metabolismo

Os flavanóis são compostos vegetais que vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos sobre diferentes processos do organismo, incluindo a função dos vasos sanguíneos e indicadores relacionados à saúde metabólica.

O interesse científico está no cacau e em seus compostos bioativos, e não apenas no chocolate como produto final. Isso porque a quantidade de flavanóis pode variar conforme o tipo de cacau, o processamento e a composição do chocolate.

Por esse motivo, não é correto afirmar que todos os chocolates oferecem os mesmos benefícios. Produtos com muito açúcar e gordura podem contribuir para o consumo excessivo de calorias, especialmente quando ingeridos em grandes quantidades.

Chocolate amargo ou ao leite: qual é a diferença?

A principal diferença está na composição. O chocolate amargo costuma ter maior concentração de cacau e, em geral, mais flavanóis do que o chocolate ao leite. Já as versões ao leite frequentemente apresentam mais açúcar e menor concentração desses compostos.

O chocolate branco, por sua vez, é produzido principalmente com manteiga de cacau, açúcar e ingredientes lácteos, sem os sólidos do cacau que fornecem os flavanóis estudados nessas pesquisas.

Isso não significa que o chocolate amargo possa ser consumido sem limites. A quantidade de açúcar, a gordura, o valor calórico e o tamanho da porção continuam sendo importantes para uma alimentação equilibrada.

O que os estudos dizem sobre a prevenção de doenças cardiovasculares?

Uma pesquisa clínica de grande porte publicada no American Journal of Clinical Nutrition, em 2022, investigou o uso de um suplemento de extrato de cacau rico em flavanóis em mais de 21 mil adultos.

O estudo não encontrou uma redução estatisticamente significativa no desfecho principal, que reunia diferentes eventos cardiovasculares. Entretanto, observou uma redução de 27% nas mortes por doenças cardiovasculares, um resultado secundário da pesquisa.

É importante fazer uma distinção: o estudo avaliou um suplemento padronizado de extrato de cacau, e não o consumo habitual de barras de chocolate. Portanto, seus resultados não podem ser aplicados diretamente a qualquer produto vendido no mercado.

Como consumir chocolate de forma equilibrada?

Para quem gosta de chocolate e deseja manter uma alimentação equilibrada, algumas medidas podem ajudar:

  • Prefira observar a composição: chocolates com maior teor de cacau geralmente apresentam menos açúcar do que muitas versões ao leite.
  • Controle a porção: mesmo o chocolate amargo fornece calorias e gorduras.
  • Considere o conjunto da alimentação: frutas, verduras, legumes, fibras e outros alimentos nutritivos devem fazer parte da rotina.
  • Não use chocolate como tratamento: o alimento não substitui medicamentos, acompanhamento profissional ou medidas comprovadas de prevenção de doenças.

A escolha deve considerar as necessidades individuais e a frequência de consumo, sem transformar um alimento específico em solução para problemas de saúde.

Chocolate faz bem à saúde?

As pesquisas indicam que os flavanóis do cacau podem ter efeitos favoráveis sobre alguns indicadores cardiovasculares. Além disso, estudos observacionais encontraram uma associação entre o consumo de chocolate amargo e um menor risco de diabetes tipo 2.

Ainda assim, as evidências têm limitações e não permitem afirmar que o chocolate previna doenças ou que seu consumo isolado melhore o metabolismo. O tipo de chocolate, a quantidade ingerida e os hábitos de vida fazem diferença.

O melhor caminho é aproveitar o alimento com moderação, dando preferência a opções compatíveis com uma alimentação equilibrada.

Referências científicas

  1. Buitrago-Lopez A. et al. Chocolate consumption and cardiometabolic disorders: systematic review and meta-analysis. BMJ, 2011.
  2. Liu B. et al. Chocolate intake and risk of type 2 diabetes: prospective cohort studies. BMJ, 2024.
  3. Sansone R. et al. Cocoa flavanol intake improves endothelial function and Framingham Risk Score in healthy men and women. British Journal of Nutrition, 2015.
  4. Sesso HD. et al. Effect of cocoa flavanol supplementation for the prevention of cardiovascular disease events: the COSMOS randomized clinical trial. American Journal of Clinical Nutrition, 2022.
  5. Li J. et al. Effects of 2-year cocoa extract supplementation on inflammaging biomarkers in older US adults. Age and Ageing, 2025.
  6. Lin X. et al. Cocoa Flavanol Intake and Biomarkers for Cardiometabolic Health: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Journal of Nutrition, 2016.
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